Nos últimos 20 anos, vimos uma verdadeira transformação nas operações florestais. A mecanização evoluiu, os dados passaram a ser gerados em tempo real e a conectividade no campo encurtou distâncias entre o que acontece lá na ponta e a tomada de decisões. Isso trouxe mais segurança, mais qualidade e mais capacidade de resposta. Se antes a informação do campo podia demorar dias, hoje chega quase instantaneamente. E quando enxergamos melhor, conseguimos produzir mais, com mais qualidade e menos custo.
Tecnologias embarcadas em equipamentos, automações nos viveiros, soluções que conjugam várias operações ao mesmo tempo, tudo isso vem mudando a maneira como trabalhamos. E não só nas florestas plantadas. Na proteção de florestas nativas, o uso de monitoramento por câmeras com a aplicação de inteligência artificial e a agilidade na resposta a focos de incêndio fazem toda a diferença.
Essa transformação também atinge o perfil do profissional. O engenheiro florestal de hoje precisa ser mais estratégico, mais conectado e mais colaborativo. As decisões são mais rápidas, as variáveis mais complexas e a atuação cada vez mais integrada com outras áreas da empresa. Habilidades como resiliência, trabalho em equipe e adaptabilidade nunca foram tão necessárias.
Na última semana antes de deixar Viçosa, recém-formado, ouvi de um veterano um conselho que carrego até hoje: “Não espere que o lugar se adapte a você. É você quem tem que se adaptar a ele.” O tempo mostrou que ele tinha razão. Hoje, no Dia do Engenheiro Florestal, olho para a profissão e percebo o quanto a floresta mudou, e o quanto nós mudamos com ela. A floresta de ontem era analógica, com pouca visibilidade em tempo real e processos mais manuais. A floresta de hoje é tecnificada, conectada e cada vez mais eficiente e sustentável.
Mas o nosso impacto não é apenas técnico. Por meio dos programas de formação, das ações com comunidades e da geração de emprego e renda nas regiões onde atuamos contribuímos diretamente para o desenvolvimento social. A engenharia florestal não só transforma paisagens, transforma realidades e pessoas.
O setor florestal brasileiro caminha para se consolidar como referência não apenas em resultados, mas em processos sustentáveis, inteligentes e acessíveis. E o engenheiro florestal é parte essencial desse movimento.
Para quem sonha seguir essa carreira, minha mensagem é clara: vocês são necessários. O setor precisa de novos profissionais engajados, prontos para inovar, colaborar e transformar. Essa é uma profissão ampla, desafiadora e, acima de tudo, capaz de gerar impacto real na sociedade. Um orgulho que só cresce, como nossas florestas.
Marcus Sad é Gerente de Desenvolvimento Operacional da MS Florestal desde fevereiro de 2024. Engenheiro Florestal formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), atua no mercado há mais de 15 anos. Já participou de projetos em grandes empresas do setor de papel e celulose, siderúrgico, com experiência em Silvicultura, Colheita e Logística.